O refluxo ou retorno do conteúdo estomacal para o esôfago (o tubo muscular que leva os alimentos da boca até o estômago) é um fenômeno fisiológico, que pode acontecer algumas vezes ao longo dia. Quando esse retorno é excessivo – em número de episódios e em volume de conteúdo refluído, podemos estar diante de uma doença – a famosa Doença do Refluxo Gastroesofágico.

Existem sintomas mais típicos e que clinicamente conseguimos relacionar facilmente a essa doença como a sensação de queimação atrás do peito (chamada de pirose) e o próprio relato de retorno exacerbado de alguns alimentos ou líquidos (regurgitação), além de arrotos frequentes.

Entretando, muitas vezes nos deparamos com sintomas diferentes daqueles mais relacionados a essa doença, que são chamados de sintomas atípicos. Na maioria das vezes em nossa prática clínica não representam essa doença. A tosse é um desses sintomas. Afinal, a tosse pode ser um sintoma de refluxo? A resposta é muito objetiva: pode ser sim!

A tosse relacionada ao refluxo ocorre por microaspirações de conteúdo ácido, que chega até a árvore do pulmão, sendo a tosse um mecanismo de proteção.  Mas, na prática, precisamos ser muito cuidadosos ao fechar essa possibilidade, antes precisamos de exames que excluam muitas outras doenças que causem tosse crônica – como sinusite, bronquite, alergias e até tuberculose. Também precisamos conversar muito com o paciente sobre o próprio sintoma, é seca ou carregada?  – a tosse relacionada ao refluxo geralmente não tem secreção; quando ela ocorre? – tem relação com o deitar ou ocorre após alimentações volumosas? Tudo isso nos ajuda a relacionar o sintoma de tosse com a Doença do Refluxo Gastroesofágico.

Durante a avaliação da Doença do Refluxo devemos solicitar exames complementares como a endoscopia digestiva alta, pHmetria e manometria esofágica, além da impedancio-pHmetria. Através destes métodos complementares buscamos sinais de refluxo patológico (como por exemplo a esofagite erosiva, períodos de refluxo prolongados durante o dia e até mesmo no sono), alterações na motilidade do esôfago (consequentemente dificultando a condução do bolo alimentar até o estômago) e até mesmo defeitos anatômicos (como a hérnia de hiato por exemplo).

Se você está com sintoma de tosse por período prolongado, principalmente por mais de 8 semanas, não deixe de passar por avaliação médica. Estou aqui para te ajudar!